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Botões pequenos e comandos complexos dificultam o convívio dos idosos com aparelhos eletrônicos
Fernando Braga - Correio Braziliense
Enviar uma mensagem utilizando o celular ou escrever um simples e-mail pode parecer uma tarefa simples para muitos usuários, mas para uma parcela considerável de consumidores — inseridos na economia e cada vez com mais participação no país(1) — esse tipo de atividade pode ser bem dispendiosa e difícil. Teclas pequenas, menus complicados e a necessidade de se realizar longas operações até atingir um simples objetivo fazem com que um número grande de idosos se afaste das novas tecnologias e não desfrute dos benefícios oferecidos por elas. No entanto, como esses aparelhos e ferramentas de comunicação se tornando cada vez mais presentes em nosso dia a dia, cresce também a necessidade da indústria de oferecer aparelhos e soluções práticas voltadas para as características específicas dos consumidores da terceira idade.
Entre as áreas que crescem em importância nesse novo cenário estão a do design e a de engenharia, já que características como usabilidade e praticidade devem nortear os desenhos de novos produtos desenvolvidos pela indústria de eletrônicos. De acordo com um estudo realizado pela Universidade Estadual da Flórida, nos Estados Unidos, tanto a postura (muitas vezes retraída), quanto a falta de habilidade de pessoas com mais idade atuam como barreiras à adoção de diversas tecnologias.
Segundo os pesquisadores, um fosso que separa as pessoas que sabem manusear um computador ou um celular daquelas que não têm familiaridade com esses produtos começa a se abrir na sociedade, ameaçando transformar membros da terceira idade em pessoas de segunda categoria. “Esse fosso é um problema, já que a tecnologia, particularmente os computadores e a internet, vem se tornando onipresente no mundo atual, e a plena participação da sociedade com essas ferramentas fica difícil para as pessoas sem acesso”, aponta Neil Charness, pesquisador da Universidade Estadual da Flórida.
Exclusão
O estudo apontou que, apesar de pessoas adultas poderem se beneficiar das vantagens advindas da vida online, como fazer reservas de passagens aéreas ou realizar serviços de e-banking, os idosos tendem a ser excluídos dessas possibilidades. Aproximadamente 85% das pessoas entre 18 e 44 anos ouvidas pela pesquisa afirmaram utilizar regularmente a internet. No entanto, quando o grupo analisado foi o de 65 a 74 anos, esse número caiu para 39%. Ao considerar as pessoas que têm entre 75 a 84 anos, o percentual cai ainda mais, ficando em 24%.
Processos de declínio cognitivo, diminuição da capacidade de memória e dificuldade em manter a atenção — tudo parte do processo natural do envelhecimento — podem tornar mais difícil para a terceira idade aprender novas habilidades. “Os adultos mais velhos podem levar duas vezes mais tempo para aprender um comando em informática que os jovens. Eles têm seu ritmo próprio de aprendizagem”, conta Charness. Ele explica que os idosos veem, literalmente, as novas tecnologias de uma maneira diferente, e as mudanças são sentidas, principalmente, no que diz respeito à identidade visual dos aparelhos como percepção de cores e intensidade de brilho. Sabendo dessas limitações, a indústria tem o dever moral de melhorar a usabilidade dos produtos eletrônicos para os idosos, acrescenta o estudo.
Superação
Para a aposentada Maria Xavier, 64 anos, a aproximação com as novas tecnologias ocorreu lentamente. “Antes, eu tinha medo de ligar o computador e quebrá-lo”, diz a senhora, que hoje participa do Geração III, um programa do governo destinado a ensinar informática às pessoas da terceira idade. “Depois que comecei a entender um pouco mais, até comprei um computador para mim”, comenta. O casal Lenir, 63, e Osvaldo Alves, 67, também participa das aulas de informática e aos poucos começa a entender os comandos mais básicos do PC. “Sempre achei esses eletrônicos muito difíceis de mexer, mas vi que tinha mesmo que aprender a usar computador quando começaram a perguntar qual era o meu e-mail e eu dizia que não tinha”, comenta Lenir. Mesmo dando os primeiros passos no mundo da internet, a dona de casa ainda sofre com outros aparelhos. “O celular, por exemplo, é muito difícil. Apesar de ter um bem básico, só sei ligar e desligar. Mandar mensagens, nem pensar”, assume.
O designer e pesquisador da UnB André Barreto acredita que o mercado de eletrônico exclui esses consumidores. “Toda a publicidade, por exemplo, é pensada para agradar aos jovens e aos adultos. Os idosos ficam marginalizados no uso desses aparelhos”, comenta. Para ele, essa é uma questão histórica e cultural, uma vez que as pessoas mais idosas fazem parte de uma geração que sofreu um abismo referente à transição da tecnologia e até de costumes. “A geração de 1980, por exemplo, conseguiu acompanhar bem essas mudanças, mas nossos avós não. E isso ajuda a aumentar ainda mais a exclusão, e acaba influenciando na forma como os aparelhos são feitos”, aponta.
Ele explica que há uma série de questões que devem ser buscadas para atender melhor as necessidades da terceira idade. “A questão da leitura, por exemplo, deve ser clara e objetiva. Não adianta a pessoa conseguir enxergar uma frase se ela não entende o que ela quer dizer”, explica, citando também outros pontos, como visibilidade, cores, contraste, tamanho de fontes e luminosidade. “O designer e o engenheiro devem sempre ter o usuário como base para o início de qualquer projeto, já que os objetos é que foram feitos para as pessoas, e não as pessoas para os objetos”, analisa.
1- População que cresce
De acordo com a Síntese dos Indicadores Sociais, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), entre 1998 e 2008 a proporção da população idosa (60 anos ou mais) no país aumentou de 8% para 11%, atingindo 21 milhões de habitantes. Durante esse período, a expectativa de vida do brasileiro cresceu 3,3 anos, chegando a 73 anos. Em todos os estados pesquisados, os brasilienses são os que têm o maior indicador: 75,6 anos.
Abuso no consignado para na Justiça
Bancos não poupam servidores inativos e aposentados do INSS que, com descontos que superam o limite legal de 30% do contracheque, recorrem à Defensoria
Max Leone – O DIA
“Os idosos chegam aqui depois de terem feito empréstimos em várias financeiras. Além disso, a mesma instituição empresta à mesma pessoa mais de uma vez. Como é que fazem isso, apesar de verem a margem de 30% comprometida? Acho que não há um critério claro para a concessão. Já vi casos em que o idoso teve praticamente 100% do benefício comprometido com pagamento de parcelas”, afirma.
De mil consultas ao Neapi, por mês, 150 — 15% delas — são reclamações de idosos que não têm como pagar, conforme antecipou semana passada a Coluna Justiça e Cidadania de O DIA. De ac ordo com o defensor, grande parte desses empréstimos é feita para cobrir dívidas de parentes próximos, como filhos, netos e sobrinhos. João Henrique conta que se deparou com situação em que um inativo assinou procuração para um sobrinho dando plenos poderes a ele. A alegação do parente era a de que o idoso não tinha condições de ir ao banco receber.
“Tem parente que faz chantagem emocional com o idoso. Recebemos aqui na defensoria uma idosa de 90 anos que comprou um automóvel zero. Na terceira parcela, ela se deu conta de que não tinha como pagar. O carro era para o neto. Não que ela não tenha direito de comprar, mas é preciso ter cuidado”, orienta.
O presidente da Associação Brasileira de Bancos (ABBC), Renato Oliva, afirma que o ideal é que bancos e financeiras não concedam empréstimos quando a margem de 30% for atingida. Ele suspeita que nos casos em que o patamar é ultrapassado pode haver falta de repasse de informação.
“O sistema da Dapatrev, responsável pela liberação dos empréstimos do INSS, trava a transação”, explica.
Cartilha vai orientar idosos na hora de pegar crédito
Na opinião do coordenador do Neapi, João Henrique Rodrigues, os bancos precisam dar mais esclarecimentos aos idosos na hora de fechar um contrato de empréstimo. O defensor informa que, até o fim do ano, será lançada uma cartilha da defensoria com informações básicas sobre consignado e os riscos dos juros. Um link no site www.dpge.rj.gov.br para o Núcleo do Idoso também vai responder perguntas e dúvidas dos interessados. “Falta esclarecimento para idosos. Os bancos precisam ter mais responsabilidade”, defende.
João Rodrigues afirma que, antes de entrar com ação, o idoso endividado deve tentar negociar acordo de parcelamento da dívida com o banco. Para isso, o aposentado pode procurar o Neapi, que fica na Avenida General Justo 335 loja A, no Centro, e obter orientações.
“Mandamos ofício cobrando esclarecimentos e perguntando se há possibilidade de acordo. Em 30% dos casos até conseguimos. Nos restantes 70% temos que entrar com processo na Justiça”, explica o defensor, ressaltando que são ajuizadas, pelo menos, 5 ações por semana com pedido de revisão de débito. Mais informações pelo 0800-285-2279, da Defensoria.
Manter-se ativo é o antídoto para evitar a depressão
Transtorno que atinge qualquer idade, a depressão é ainda mais comum quando quem sofre é um idoso. Manter-se ocupado com atividades prazerosas é um importante aliado para evitar a doença.
A depressão é caracterizada por um estado de angústia, tédio, indiferença e falta de energia. Ela é resultado de desequilíbrios químico-fisiológicos que alteram a comunicação entre os neurônios.
As causas da depressão no idoso podem ser variadas, como mudanças comportamentais, mudanças hormonais - nas mulheres -, perdas de familiares e também a perda do papel social que exercia através do trabalho.
“O afastamento dos filhos quando se mudam de casa e a perda de contato dos amigos de trabalho quando se aposenta são alguns casos que dão origem à depressão”, conta a psicóloga Juliana Bisatto Cardoso.
A percepção de um idoso que esteja com depressão pode ser dificultada pelo fato de ela poder estar acompanhada de outras doenças, porém os sintomas mais claros são o desânimo, perda de interesses por coisas rotineiras, perda ou excesso de sono e irritabilidade.
A depressão tem cura e pode ser tratada com antidepressivos, psicoterapia ou a combinação dos dois dependendo do caso. “Há médicos que apenas receitam medicamentos, mas o ideal é ter um acompanhamento psicológico.”
A psicóloga ainda adverte que a falta de um tratamento irá ocasionar uma baixa qualidade de vida, que se não evitada, pode até mesmo levar ao suicídio.
A melhor maneira para se prevenir é levar uma vida ativa. Fazer atividades físicas, manter uma vida social, reservar um tempo para o lazer e boa alimentação são imprescindíveis.
“Hoje é normal pessoas na terceira idade procurando por faculdades. É importante manter-se ocupado seja fazendo cursos ou dedicando o tempo para algum hobby”, afirma Juliana.
Projeto EELO
A Universidade Norte do Paraná (Unopar) está desenvolvendo o projeto EELO - Estudo sobre o envelhecimento em Londrina -, que tem como objetivo traçar um perfil dos idosos da cidade e buscar ações de prevenção para um envelhecimento saudável.
A psicóloga Juliana Bisatto Cardoso coordenará análises psicossociais que tratam de questões como a depressão e qualidade de vida. “Com esse projeto vamos tentar propor recursos para a uma melhoria de vida dessa população”.
Idosos de todas as regiões de Londrina são selecionados pela Secretaria de Saúde, desde que cadastrados no Programa Saúde da Família (PSF). O EELO envolve ainda avaliações físicas e demais exames que serão coordenados por enfermeiros, nutricionistas, fisioterapeutas, entre outros.
Máxima Comunicação/Eduardo Morais
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